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Pesquisa: 43% dos alunos correm risco de se viciar em smartphone

Estudo da UFMG adaptou ferramenta de Taiwan para verificar possibilidade de dependência

Pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) concluiu que 43% dos 415 alunos avaliados apresentam risco de desenvolver dependência de smartphone. O vício, caracterizado pelo uso cada vez maior do aparelho e pela manifestação de sintomas de abstinência em caso de falta de acesso, como irritação e inquietude, pode estar associado também a abuso de álcool, depressão e ansiedade. O objetivo do estudo, divulgado nessa segunda-feira (29), é elaborar formas de prevenção e tratamento da dependência.

Para a realização da pesquisa, professores e estudantes do Centro Regional de Referência em Drogas da universidade adaptaram um questionário feito em Taiwan para utilização no Brasil. A ferramenta tem 26 tópicos e serve para identificar o risco de dependência do smartphone. As questões abordam, por exemplo, se o usuário consegue fazer uma refeição sem usar o telefone.

O questionário foi aplicado entre março e junho do ano passado a 415 alunos de diferentes cursos de graduação, escolhidos por acaso. Quase metade dos estudantes (178) respondeu “sim” a sete ou mais questionamentos, o que indica risco maior de dependência. Eles foram avaliados por psiquiatra, e 33% (58) receberam diagnóstico de dependência.

“A maioria é mulher, que tende a ser mais dependente de redes sociais, solteira e de renda familiar alta ou média”, disse a professora Julia Khoury, do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina, uma das autoras do estudo. “O que diferencia as pessoas em dependência é que elas fazem uso cada vez maior do celular e têm sintomas de abstinência e se sentem mal quando estão afastadas do smartphone. Elas tendem a reduzir relacionamentos interpessoais e outras atividades e têm a produtividade no trabalho, na escola e no esporte prejudicada”.

Segundo Julia, a pesquisa identificou que a dependência de smartphone está associada a abuso de álcool, depressão, fobia social, transtorno de ansiedade e alta impulsividade, entre outros. “Ainda não sabemos o que é causa ou consequência, mas acreditamos, sim, que as pessoas tendem a se isolar e a deixar de realizar outras atividades que faziam antes, o que favorece o surgimento de depressão e de sintomas de ansiedade”, pontuou.

O estagiário de direito Felipe Machado, 23, se considera totalmente dependente. Ao acordar, antes de sair da cama, ele checa as redes sociais, e só consegue dormir de madrugada. “Meu desempenho na faculdade caiu demais, não tenho concentração para estudar nem paciência para ler um artigo inteiro sem abrir o Facebook”, disse. Ele não fez parte da pesquisa da UFMG.

Sequência

Saúde. A pesquisa deve continuar por mais quatro anos. Os alunos serão acompanhados, e o questionário será aplicado a pessoas de fora da UFMG. As questões identificam o risco; o diagnóstico é médico.

SAIBA MAIS

Perfil. Um estudo feito pelas Universidades de Yale e da Califórnia, nos Estados Unidos, concluiu que as pessoas que usam o Facebook o tempo todo são mais tristes e menos saudáveis. Já o WhatsApp, segundo estudo da Universidade de Haifa, em Israel, contribui de forma positiva para a vida dos usuários, ajudando-os a se comunicar melhor.

Ajuda. Não há política pública de dependência de smartphone, segundo a Secretaria de Estado de Saúde. Na UFMG, o Ambulatório de Dependências Químicas e Comportamentais atende pacientes com qualquer tipo de dependência. Na PUC e na Una, as clínicas de psicologia não têm trabalho específico.

OBSERVAÇÃO

É importante ouvir a família quando há alerta sobre uso

A dependência de smartphone, a ansiedade e a irritação provocadas pela abstinência ainda não têm tratamento específico. O mais importante, segundo especialistas, é manter-se alerta quanto ao uso crescente do aparelho, que pode causar sensações e sintomas de abstinência semelhantes aos das drogas.

“Os comentários e as curtidas em postagens nas redes sociais atuam no sistema de recompensa do nosso cérebro como as drogas, causando um prazer, e queremos sentir essa sensação cada vez mais”, disse a professora da UFMG Julia Khoury.

Segundo ela, é importante escutar quando familiares alertam sobre a dependência. “Quando se propõe a deixar de usar e não consegue, quando está dirigindo ou precisa estudar e, mesmo assim, usa, tudo isso serve de alerta”, pontuou. Julia explica que não há tratamento específico para a dependência, mas o usuário pode procurar um psiquiatra, que pode indicar medicamentos para o tratamento de doenças associadas, como a depressão, ou indicar fazendas terapêuticas, em que as pessoas ficam afastadas da tecnologia até superar os sintomas de abstinência.

De acordo com a professora e coordenadora de psicologia da Una Contagem, Camila Fardin Grasseli, os sintomas de abstinência de smartphone também são semelhantes aos das drogas. “Irritação, ansiedade, distúrbios de sono e dificuldades de relacionamento pessoais são comuns”, afirmou. Usar muito, no entanto, não significa ser dependente. “A questão é o lugar que o aparelho ocupa na vida da pessoa”.

Disponível em: http://www.otempo.com.br/cidades/43-dos-alunos-correm-risco-de-se-viciar-em-smartphone-1.1480148




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